23 dicas de como desenvolver sua história

Anos atrás vi essa série de twits de Emma Coats, que já trabalhou como escritora em empresas incríveis, entre elas a Pixar e Google. Na série #StoryBasics ela deu algumas dicas que aprendeu na sua época de Pixar com diretores, escritores e colegas de trabalho sobre a arte de contar histórias.

23 dicas de como desenvolver sua história

Para quem esta acompanhando as outras dicas de escritores e a introdução ao enredo baseadas no livro de Ronald B. Tobias, com certeza perceberá as semelhanças entre algumas dicas aqui e outras que já lemos antes. Mesmo assim, vamos conhecer o que Emma tem a dividir?

1. O público admira mais um personagem por suas tentativas do que pelo seus sucessos.

2. Você deve ter em mente o que é interessante para o público, não o que é divertido para o escritor. As duas coisas podem ser bem diferentes.

3. Tentar seguir um tema é importante, mas você não verá o que a história é realmente até chegar ao fim. E aí é a hora de reescrever.

4. Era uma vez ___. Todo dia, ___. Um dia ___. Por causa disso, ___. Por causa disso, ___. Até que finalmente ___.

5. Simplifique. Mantenha o foco. Combine personagens. Pule os desvios. Você sentirá que está perdendo coisas valiosas, mas isso o libertará.

6. No que o seu personagem é bom, com o que se sente confortável? Jogue exatamente o oposto nele. Desafie-o. Como ele lida com a adversidades?

7. Crie o final antes de descobrir o meio. De verdade. Os finais são difíceis, então comece trabalhando no seu.

8. Termine a história e a deixe ir, mesmo que não esteja perfeita. Faça melhor da próxima vez.

9. Quando você está empacado, faça uma lista do que não aconteceria a seguir. Muitas vezes aquilo que você precisa para desempacar vai aparecer.

10. Analise as histórias que você gosta. O que você gosta nelas é uma parte de você, e você tem que reconhecer essas partes antes de poder usá-las.

11. Colocar a idéia no papel permite que você comece a trabalhar. Se a idéia ficar na sua cabeça, mesmo que perfeita, você nunca compartilhará com ninguém.

12. Discarte a 1ª coisa que vem à mente. E a 2ª, 3ª, 4ª e 5ª – tire o óbvio do caminho. Surpreenda-se.

13. Dê opiniões aos seus personagens. Passividade/maleabilidade podem parecer agradáveis enquanto você escreve, mas é veneno para o público.

14. Por que você deve contar ESSA história? Qual é esta crença que esta te queimando e que alimenta a história? Esse é o coração da história.

15. Se você fosse seu personagem em tal situação, como você se sentiria? A honestidade dá credibilidade a situações inacreditáveis.

16. O que esta em jogo? Dê ao público uma razão para torcer pelo personagem. O que acontece se ele não tiver sucesso?

17. Nenhum trabalho é desperdiçado. Se não estiver funcionando, largue e siga em frente. Essa idéia voltará a ser útil mais tarde.

18. Você tem que conhecer a si mesmo, e a diferença entre fazer o seu melhor e enrolar.

19. Coincidências usadas para colocar os personagens em apuros são ótimas; coincidências para tirá-los do apuro é pura trapaça.

20. Exercício: pegue os “blocos de construção” de um filme/livro que você não gosta. Como pode reorganizá-los de uma maneira que você goste?

21. Você precisa se identificar com a situação/personagens, não pode simplesmente escrever algo modinha/cool. O que faria você se comportar como eles?

22. Qual é a essência da sua história? Consegue resumir ao máximo o que deseja contar? Se a resposta for sim, você pode começar a partir daí.

23. Esteja ciente das convenções e suposições que acompanham o gênero da sua história. Reconheça-os, subverta-os; mas não os ignore.

Numero Zero, de Umberto Eco (resenha)

O que dizer sobre Numero Zero, de Umberto Eco? Bom, eu gosto muito do autor, então minha opinião não é totalmente sem paixão, mas mesmo assim, vamos lá…

A trama se passa em Milão, 1990, quando o jornalista Colonna é contratado para trabalhar num jornal que nunca vai ser publicado. Logo de cara lhe dizem que a idéia é que certas pessoas tenham medo do que o jornal possa a vir publicar quando for lançado, então para todos os efeitos é preciso que pareça um jornal real, com notícias, staff e tudo mais. Mas a intenção é manipular.

Numero Zero, de Umberto Eco

Outras pessoas são contratadas (é preciso parecer legitimo, lembre-se) e entre eles esta Braggadocio, um tipo daqueles que sempre esta falando em conspirações mirabolantes, que envolvem desde segredos militares, e até o Vaticano. Tudo parece pura maluquice, até que um assassinato acontece e talvez as tais teorias não sejam assim tão malucas…

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10 dicas para escritores de J.K. Rowling

Como autora de uma das séries de livros mais conhecida no mundo e com mais do 400 milhões de cópias vendidas, podemos concordar que J.K. Rowling sabe bem do que esta falando quanto o assunto é escrever.

10 dicas para escritores de J.K. Rowling

Apesar de ter brincado com o reporter que lhe perguntou sobre as regras que escritores devem seguir, ela citou uma frase de W. Somerset Maugham “Só existem 3 regras que devem ser seguidas para escrever um livro. Infelizmente, ninguém sabe quais são.” Mesmo assim, J.K. Rowling tem dicas valiosas em suas entrevistas e no seu Twitter oficial que podem ser de grande valia para aqueles que desejam se aventurar no universo da escrita.

1. Seja implacável ao proteger seus dias dedicados a escrita. (…) O engraçado é que embora escrever tenha sido meu trabalho por vários anos, ainda tenho que lutar para ter tempo para fazê-lo. Algumas pessoas parecem não entender que eu tenho que sentar em paz e escrever os livros, aparentemente acreditando que eles surgem do nada.

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Como escrever um livro: Checklist de Enredo

Abaixo tem uma checklist que pode te ajudar a situar o quanto sabe sobre a história que deseja contar, e assim descobrir qual enredo pode ser usar.

Se você puder responder todas questões abaixo, você já tem uma história, se não for possível responder tudo, pode ser que sua história ainda não esteja completa na sua mente.

Como escrever um livro: Checklist de Enredo

1. Em cinquenta palavras, qual é a idéia básica da sua história?

2. Qual é o objetivo central? Responsa com uma pergunta. Por exemplo, “Othelo vai acreditar em Iago sobre sua esposa?”

3. Qual é a intenção do seu protagonista? (O que ele quer?)

4. Qual é a motivação do seu protagonista? (Por que ele quer o quer?)

5. Quem ou o que está no caminho do seu protagonista?

6. Qual é o plano de ação de seu protagonista para realizar sua intenção?

7. Qual é o principal conflito da história? Interno? Externo?

8. Qual é a natureza da mudança do seu protagonista durante o curso da história?

9. Seu enredo é guiado por personagens ou ação?

10. Qual é o ponto de ataque da história? Onde você vai começar?

11. Como você planeja manter a tensão ao longo da história?

12. O que o protagonista fará no clímax e como isso o afeta?

Se deseja imprimir esta lista, baixe ela em .pdf, clicando aqui (link direto para o Dropbox).

Se você chegou aqui via busca, talvez a introdução que escrevi sobre enredos posse te interessar e esta aqui. Se deseja saber mais sobre os 20 enredos chefe, a lista esta aqui.

O livro 20 Master Plots de Ronald B. Tobias esta disponível em inglês pela Amazon.

Como escrever um livro: 20 enredos Chefe

Dando prosseguimento ao post anterior, chegamos finalmente aos 20 enredos. Note que no livro cada enredo ganhou um capítulo inteiro (com excessão do 19 e 20, que estão juntos), onde o autor dá diversas dicas e exemplos, uma explicação dos 3 atos e uma lista a ser ticada para ajudar o escritor. Eu fiz um resumo para não infringir nos direitos autorais, mas ainda assim transmitir a idéia central de cada enredo. A introdução que escrevi sobre enredos esta aqui.

Vale lembrar que Tobias diz que “O truque de aprender a usar o enredo não é copiá-lo, mas sim adaptá-lo às necessidades da sua história.” Então sinta-se livre para ajustar o enredo a sua idéia/história de maneira criativa.

Como escrever um livro: 20 enredos Chefe

1. Busca

O protagonista busca por algo tangível ou não, e que potencialmente vai mudar sua vida. É importante retratar o relacionamento do protagonista com o objeto da sua busca, e igualmente importante que este objeto tenha vários níveis de significado. Não pode ser apenas um anel, mas um anel que pertenceu a um parente distante que perdeu tudo na guerra e só conseguiu salvar este item.

No final não é exatamente o anel que o protagonista busca, mas sim uma sabedoria ou conhecimento que ele aprende/conhece/desvenda no final da narrativa.

Na Busca o protagonista geralmente tem um amigo e/ou companheiros que cuidam dos detalhes e cujas limitações contrastam com as qualidades do herói, além de servirem como espelho onde o protagonista projeta suas reflexões. E geralmente vemos um outro personagem que sempre esta por perto para ajudar o protagonista. Tobias menciona várias obras como exemplo, mas eu selecionei apenas algumas por questão de brevidade:

Dom Quixote, Miguel de Cervantes
As Vinhas da Ira, John Steinbeck
O Senhor dos Anéis, J. R. R. Tolkien

2. Aventura

Diferente da Busca, onde o foco é no protagonista que pode estar fazendo uma viagem, neste enredo o protagonista sai em uma aventura e o foco é na viagem em si. O desenvolvimento pessoal do protagonista ou sua mudança/aprendizado não são fundamentais, pois é a ação, a aventura, o principal. Tobias diz que o enredo da Aventura faz sucesso pois o público gosta de experimentar o exótico, um universo paralelo, um planeta, etc. Ele diz ainda que um romance pode fazer parte da aventura (muito clichê na minha opinião), mas não é uma obrigatoriedade.

Vinte mil léguas submarinas, Jules Verne
Robinson Crusoe, Daniel Defoe
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