Audition, de Ryu Murakami (resenha)

Audition, de Ryu Murakami (resenha)

A única coisa que consegui dizer ao terminar Audition, de Ryu Murakami, foi uau. Hoje consegui sentar e colocar as idéias em ordem para escrever a resenha.

Foto do escritor japones Ryū Murakami

Para quem não conhece o livro ou nunca ouviu falar o filme de mesmo nome, que fez um baita sucesso quando foi lançado em 1999, Audition conta a estória do viúvo Aoyama, que mora com seu filho adolescente Shige, e que finalmente decide que chegou a hora de se casar novamente.

Ele pede ajuda ao seu grande amigo, e eles tem a idéia fazer uma chamada de casting para um filme fictício, desta maneira Aoyama poderá acelerar o processo de conhecer mulheres ao entrevistar dezenas de possíveis candidatas para o falso filme, e selecionar aquela que ele sentir alguma conecção.

Dentre os currículos lhe chama a atenção o de Yamasaki Asami, a bela jovem ex-bailarina com um passado misterioso.

Quem ouviu falar do filme sabe exatamente o que estar por vir. Acredito até que só pela descrição do livro na contracapa já é possível imaginar o que vai acontecer.

A paixão cega de Aoyama, o comportamento angelical de Asami, os avisos do amigo e do filho, o leitor desconfia do que esta por vir. Praticamente tudo que acontece depois que Aoyama conhece e se aproxima de Asami passa uma sensação de perigo e risco. Até as cenas onde Asami não esta presente gera um certo temor.

E ai esta a parte interessante: eu sabia o que ia acontecer e fiquei tensa tanto na antecipação quanto nas partes fortes, porque o livro esta encharcado de suspense.

Ryu Murakami plantou o temor na minha mente e a partir daí fiquei preparada para o pior. Aoyama, perdidamente apaixonado a ponto da obsessão, parece não perceber o perigo que se espreita e eu, a leitora, me preocupei por ele. A ameaça esta sempre pairando sobre os personagens. As dicas estão salpicadas pelo livro todo, algumas mais discretas, outras nem tanto, e mesmo assim Murakami consegue segurar e aterrorizar a gente. Ou pelo menos ele conseguiu comigo.

O final é forte e alguns leitores podem ter dificuldade, mas a parte mais chocante na minha opinião…

Spoiler: não clique se não quiser aber oque acontecer no final!
… é quando o filho, Shige, pergunta para o pai na última cena o que era tudo aquilo, e ele responde “Nothing, really.” Alguns leitores podem interpretar isso como humor negro, mas eu achei que serviu como uma representação da violência. Vemos tantos crimes horríveis, assassinos que entram nas escolas e matam crianças, por exemplo, e no fundo esse crimes são sobre nada. O livro é de 1997, mas a violência sem sentido é eterna.

Eu gostei do livro, e isso aconteceu porque o autor conseguiu meu investimento emocional na estória. Apesar de querer dar um chacoalhada em Aoyama, eu não queria que nada de ruim acontecesse com ele e/ou seu filho. Isso mostra que os personagens foram bem escritos.

Sinceramente, ainda estou perplexa como um livro de suspense que eu sabia o final conseguiu me mover tanto como este conseguiu. Audition foi o primeiro livro de Ryu Murakami que li e com certeza não será o último.

Para saber mais sobre este autor, visite Wikipedia.
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Patricia
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Patricia

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