Como estruturar seu livro: Anatomia de uma História

Continuando sobre como estruturar seu livro, quero falar sobre A anatomia da história: 22 passos para se tornar um mestre contador de histórias (The Anatomy of Story: 22 Steps to Becoming a Master Storyteller), de John Truby, um livro espetacular sobre como estruturar livros, scripts, etc.

Como estruturar seu livro: Anatomia de uma História

Truby fala sobre premissa, os 7 pontos principais (que vou explicar abaixo), como desenvolver os personagens, o tema (argumento moral), o universo/mundo onde sua história acontece, a rede de símbolos, o enredo, como costurar as cenas, e a construção tanto de cenas como diálogos convincentes.

O livro é excelente. Infelizmente não foi traduzido para o português, mas se você souber inglês e esta realmente interessado em criar histórias ricas e bem estruturadas, leia o livro.

Mais pra frente vou voltar a citar este livro, mas hoje vou me concentrar apenas na estrutura, expandindo no que escrevi semana passada. Aqui vão aos 7 pontos chaves da estrutura segundo John Truby:

1. Fraqueza e Necessidade

Logo no inicio da história seu personagem/herói tem uma fraqueza e uma necessidade que ele vai precisar superar. Ex.: no filme O Silêncio dos Inocentes, Clarice tem que superar os traumas de uma infância difícil e seus medos (fraqueza) para se afirmar como agente do FBI (necessidade), num universo predominantemente masculino.

2. Desejo

Aqui você precisa criar um desejo para seu protagonista. Este desejo pode estar ligado a necessidade, mas não é a mesma coisa, então não funda necessidade e desejo em uma só ação. Truby ressalta que a necessidade vem da fraqueza interior e o desejo é uma meta exterior. Ex.: em Saving Private Ryan a necessidade de John Miller é cumprir o dever apesar do seu medo, mas o desejo é achar Ryan e levá-lo para casa.

3. Oponente

Truby sugere que você não olhe o oponente/antagonista como um simples malvadão, mas como um personagem que quer impedir seu protagonista de realizar seu desejo, porque ele tem o mesmo objetivo. Ex.: em Star Wars, Luke e Darth Vader estão ambos competindo para decidir quem vai controlar o Universo.

4. Plano

Aqui você deve planejar e decidir quais estratégias seu protagonista usará para conseguir superar as dificuldades e realizar seu desejo. Ex.: em Hamlet, o protagonista decide encenar uma peça onde o rei assassina seu pai para ver como o rei reagirá diante da cena, e assim provar sua culpa.

5. Batalha

Durante boa parte da história seu protagonista estara lutando com as dificuldades ou com o antagonista, até que esse conflito chega as vias de fato, onde será decidido o vencedor da batalha. Ex.: Em Odisséia, Odisseu mata aqueles que assassinaram sua esposa e destruíram seu lar.

6. Auto-revelação

Logo em seguida da batalha, que é um momento difícil para o protagonista, chega o momento da auto-revelação, quando o protagonista se olha com honestidade e aprende algo sobre si mesmo que não sabia antes. Este será o momento mais difícil e corajoso de toda história. Evite descrever o que ele aprendeu ou descobriu, sugira atráves das próximas ações que ele tomar. Ex.: em Casablanca, Rick recupera seu idealismo e sacrifica seu amor por Ilsa para ir lutar na guerra.

7. Novo equilíbrio

Tudo volta ao normal, porém seu protagonista esta diferente porque ele passou por diversas provações. Ele aprendeu quem ele é e sua posição no mundo, caso a revelação tenha sido positiva. Ex.: Clarice (O Silêncio dos Inocentes) consegue prender Buffalo Bill, se torna uma boa agente e supera os traumas de infância.

Caso a revelação tenha sido negativa ou ele não tenha uma, o protagonista é destruído (literal ou figurado).

No próximo post você pode ler como checar os 7 pontos acima no contexto dos 22 que Truby citou em seu livro, e pode baixar o quadro em .pdf.

Até lá!

Patricia

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Doida por tecnologia e viciada em Hi-Chew. Faz toda parte de design, layout e programação. E no final do dia, repõem o estoque da geladeirinha.

4 Comments

  1. luis30/01/2019

    depois de ler isso eu fiquei pensando nos filmes que vi e como todos segueme este esqueminha. interessante mesmo.

    Responder
    1. Patricia
      Patricia31/01/2019

      Você tem razão, Luís. Depois que a gente aprende como muitos scripts (e livros) são escritos, fica bem óbvio. 😉

      Responder
  2. Ana Clara05/02/2019

    Cheguei aqui pelo arquivo que você colocou no twitter e gostei muito da explicação, mas falta um s no O Silencio doS Inocentes, acima. 🙂

    Responder
    1. Patricia
      Patricia06/02/2019

      Obrigada pelo aviso Ana, acabei de corrigir.

      Responder

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