O que significa fracassar como escritor… Ray Bradbury

Ray Bradbury (1920-2012) foi um escritor americano que escreveu em diversos gêneros, entre eles horror, ficção científica, fantasia e mistério. Entre seus muitos livros estão As Crônicas Marcianas, Licor de Dente-De-Leão e o famoso Fahrenheit 451.

O que significa fracassar como escritor... Ray Bradbury

Na data da sua morte o jornal New York Times disse que Bradbury “foi o escritor que mais ajudou a trazer a ficção científica para o mainstream literário.”

Abaixo ele diz sobre o que acha do fracasso:

Se você escreve cem contos e eles são todos ruins, isso não quer dizer que você falhou. Você falha quando pára de escrever. Eu escrevi por volta de dois mill contos; publiquei por volta de 300 e sinto como se ainda estivesse aprendendo. Qualquer pessoa que continue trabalhando não é um fracasso. Ele talvez não seja um grande escritor, mas se ele aplicar as antiquadas virtudes de trabalho duro e contínuo, ele vai eventualmente construir uma carreira para si mesmo como escritor.

 

Ray Bradbury, Março de 1967

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Como escrever um livro: Personagens II

Você provavelmente já tem um outline ou uma idéia sobre quem serão seus personagens, e durante a escrita você vai perceber que muitos “blocos” da personalidade vão continuar a se formar e se encaixar. Isso porque o processo da criação e dos personagens é o andamento contínuo da sua criatividade. Enquanto o fluxo da criatividade corre solto, é importante lembrar algumas coisas.

Como escrever um livro: Personagens II

Tipos de personagens

Geralmente ouvimos falar de personagens inteiros (round) e planos (flat). Personagens inteiros (round) são totalmente desenvolvidos e complexos, com tudo que já discutimos antes neste post aqui.

Os planos (flat) são desenvolvidos o suficiente para dar suporte a sua função dentro do enredo. É importante deixar esses personagens onde eles devem estar: se você der muito espaço e descrição a eles pode acabar confundindo o leitor, que provavelmente desconfiará que este personagem terá um papel importante em alguma parte da trama, e vai ficar frustrado quando perceber que não passava de um coadjuvante.

Pode acontecer de um personagem plano conquistar nossa atenção e ai vem a tentação de elevá-lo ao protagonismo. Se for o início da história, não tem nada de errado nisso. Apenas evite dar o protagonismo a personagens que estão ali apenas como suporte/coadjuvantes.

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Como eu escrevo: Clive Barker

Clive Barker é um escritor, cineasta, roteirista e dramaturgo inglês. Barker ficou conhecido nos anos 80 por sua série de contos, os Livros de Sangue, que o consagrou como escritor de horror. Sua ficção já foi adaptada em filmes, sendo os mais conhecidos a série Hellraiser e Candyman.

Como eu escrevo: Clive Barker

Nove de seus dezoito livros já foram publicados no Brasil.

Weaveworld (A Trama da Maldade), o livro que ele cita abaixo, é um romance de fantasia sobre um mundo mágico que está escondido em um tapete, tanto para protegê-lo de humanos curiosos quanto de inimigos sobrenaturais hostis.

Em relação ao personagem, meu sentimento é o seguinte: faça com que o leitor aceite algo, uma esquisitice, e depois o resto deve seguir realisticamente. Eu tento não mentir sobre psicologia. Eu não acho que sou brega na minha escrita, eu não acho que sou excessivamente sentimental. Eu tento ser emocionalmente honesto numa estrutura sinuosa.

Então, em Weaveworld, a coisa que é estranha é o fato de que existe um mundo de magia escondido no tapete. Uma vez que eu estabeleci este mundo mágico, a resposta humana a ele por parte dos personagens deve ser emocionalmente verdadeira. Depois disso, tenho que ser o mais honesto possível sobre os processos que levam esses personagens a esse lugar, que os envolvem nessa história. Porque, como escritor de ficção, a última coisa que você quer ser é um mentiroso.

Clive Barker, Março de 1991

Para mais informações sobre este escritor, visite The Official Clive Barker Website.

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Como escrever um livro: Introdução aos Personagens

Se você tivesse que pensar no seu livro favorito, o que ele tem de tão especial? Foram os personagens que te cativaram? Ou quem sabe foi o tema que te envolveu, ou ainda o estilo que o livro foi escrito? Caso tenha sido o tema ou o estilo, ou ambos, você acha que o livro continuaria tão bom se os personagens fossem fracos e/ou superficiais?

Como escrever um livro: Introdução aos Personagens

Uma das peças vitais para que uma história seja boa é ter personagens que pareçam pessoas reais, mesmo que a vida deles seja diferente da nossa ou que eles estejam passando por uma situação totalmente estrangeira a nossa realidade, os personagens ainda devem conter “humanidade” para que possamos envolver e conquistar o leitor. Personagens precisam ter dimensão, devem despertar empatia e necessitam ter um conflito (para mover a história, senão qual é o objetivo?).

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Como estruturar seu livro: Anatomia de uma História II

Abaixo segue a explicação do quadro resumido onde John Truby pontua tudo que é discutido no livro. Para baixar o quadro com a explicação em português no formato .pdf, clique aqui (link direto para o Dropbox).

Como estruturar seu livro: Anatomia de uma História II

  1. Combinação dos passos 20, 3 e 5.
  2. Truby não usa o termo conhecido como backstory (tudo aquilo que aconteceu com o protagonista antes da gente conhecê-lo) e prefere usar ghost (fantasma). Aqui conhecemos um pouco do passado e também sobre o universo onde o protagonista existe.
  3. As fraquezas que impedem o protagonista de realizar seu desejo/objetivo.
  4. Um evento que coloca o protagonista em ação.
  5. Objetivo/desejo do protagonista.
  6. Assim que o protagonista tem um objetivo/desejo, ele ganha aliados que vão ajudá-lo na sua sua jornada.
  7. Um mistério ou antagonista que dificulta o protagonista de atingir se objetivo.
  8. Um aliado que na verdade é um inimigo.
  9. Uma revelação que faz o protagonista tomar uma decisão que mudar o rumo da história.
  10. O plano do protagonista de como ele pretende vencer o antagonista e alcançar seu objetivo.
  11. Plano do antagonista de contra-ataque.
  12. Uma série de ações desesperadas (e que podem beirar a imoralidade) do protagonista no desejo de vencer o antagonista e realizar seu objetivo.
  13. Um aliado confronta o protagonista sobre seu desespero/imoralidade ao tentar atingir o objetivo.
  14. O ponto mais baixo do protagonista, onde ele se sente perdido. Para arcos de história queda (onde o protagonista não consegue o que deseja no final, nem aprende ou muda), o posto acontece: uma aparente vitória do protagonista.
  15. O protagonista recebe uma nova informação que novamente o coloca em ação.
  16. A audiência aprende algo importante que o protagonista não sabe.
  17. O protagonista aprende algo sobre o antagonista que vai ajudá-lo a vencer.
  18. A pressão aumenta e o protagonista passa por dificuldades ainda maiores.
  19. O conflito final, geralmente violento (literal ou figurado) para decidir quem será o vencedor.
  20. O protagonista aprende sobre quem ele é realmente.
  21. Uma decisão que provará que o protagonista realmente aprendeu algo sobre si mesmo e mudou.
  22. A necessidade e o desejo (objetivo) foram alcançadas, a vida volta ao normal e mas o protagonista esta mudado.

Para os 7 pontos principais, leia este post aqui.

Para comprar o livro, clique aqui: The Anatomy of Story: 22 Steps to Becoming a Master Storyteller, de John Truby (somente em inglês).

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