Como estruturar seu livro: Anatomia de uma História II

Abaixo segue a explicação do quadro resumido onde John Truby pontua tudo que é discutido no livro. Para baixar o quadro com a explicação em português no formato .pdf, clique aqui (link direto para o Dropbox).

Como estruturar seu livro: Anatomia de uma História II

  1. Combinação dos passos 20, 3 e 5.
  2. Truby não usa o termo conhecido como backstory (tudo aquilo que aconteceu com o protagonista antes da gente conhecê-lo) e prefere usar ghost (fantasma). Aqui conhecemos um pouco do passado e também sobre o universo onde o protagonista existe.
  3. As fraquezas que impedem o protagonista de realizar seu desejo/objetivo.
  4. Um evento que coloca o protagonista em ação.
  5. Objetivo/desejo do protagonista.
  6. Assim que o protagonista tem um objetivo/desejo, ele ganha aliados que vão ajudá-lo na sua sua jornada.
  7. Um mistério ou antagonista que dificulta o protagonista de atingir se objetivo.
  8. Um aliado que na verdade é um inimigo.
  9. Uma revelação que faz o protagonista tomar uma decisão que mudar o rumo da história.
  10. O plano do protagonista de como ele pretende vencer o antagonista e alcançar seu objetivo.
  11. Plano do antagonista de contra-ataque.
  12. Uma série de ações desesperadas (e que podem beirar a imoralidade) do protagonista no desejo de vencer o antagonista e realizar seu objetivo.
  13. Um aliado confronta o protagonista sobre seu desespero/imoralidade ao tentar atingir o objetivo.
  14. O ponto mais baixo do protagonista, onde ele se sente perdido. Para arcos de história queda (onde o protagonista não consegue o que deseja no final, nem aprende ou muda), o posto acontece: uma aparente vitória do protagonista.
  15. O protagonista recebe uma nova informação que novamente o coloca em ação.
  16. A audiência aprende algo importante que o protagonista não sabe.
  17. O protagonista aprende algo sobre o antagonista que vai ajudá-lo a vencer.
  18. A pressão aumenta e o protagonista passa por dificuldades ainda maiores.
  19. O conflito final, geralmente violento (literal ou figurado) para decidir quem será o vencedor.
  20. O protagonista aprende sobre quem ele é realmente.
  21. Uma decisão que provará que o protagonista realmente aprendeu algo sobre si mesmo e mudou.
  22. A necessidade e o desejo (objetivo) foram alcançadas, a vida volta ao normal e mas o protagonista esta mudado.

Para os 7 pontos principais, leia este post aqui.

Para comprar o livro, clique aqui: The Anatomy of Story: 22 Steps to Becoming a Master Storyteller, de John Truby (somente em inglês).

Como estruturar seu livro: Anatomia de uma História

Continuando sobre como estruturar seu livro, quero falar sobre A anatomia da história: 22 passos para se tornar um mestre contador de histórias (The Anatomy of Story: 22 Steps to Becoming a Master Storyteller), de John Truby, um livro espetacular sobre como estruturar livros, scripts, etc.

Como estruturar seu livro: Anatomia de uma História

Truby fala sobre premissa, os 7 pontos principais (que vou explicar abaixo), como desenvolver os personagens, o tema (argumento moral), o universo/mundo onde sua história acontece, a rede de símbolos, o enredo, como costurar as cenas, e a construção tanto de cenas como diálogos convincentes.

O livro é excelente. Infelizmente não foi traduzido para o português, mas se você souber inglês e esta realmente interessado em criar histórias ricas e bem estruturadas, leia o livro.

Mais pra frente vou voltar a citar este livro, mas hoje vou me concentrar apenas na estrutura, expandindo no que escrevi semana passada. Aqui vão aos 7 pontos chaves da estrutura segundo John Truby:

1. Fraqueza e Necessidade

Logo no inicio da história seu personagem/herói tem uma fraqueza e uma necessidade que ele vai precisar superar. Ex.: no filme O Silêncio dos Inocentes, Clarice tem que superar os traumas de uma infância difícil e seus medos (fraqueza) para se afirmar como agente do FBI (necessidade), num universo predominantemente masculino.
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Como estruturar seu livro – 3 Atos

Agora que já estamos mais confortáveis com o enredo e como podemos usar certas fórmulas em nossa escrita, vamos falar sobre como estruturar seu livro. Alguns escritores preferem escrever de maneira orgânica, isso é, deixam a história se desenrolar naturalmente, fazendo ajustes aqui e ali quando necessário; outros preferem ter uma estrutura definida em mente assim que decidem escrever sua história.

Como estruturar seu livro - 3 Atos

Quando eu comecei a escrever percebi que ter uma idéia, mesmo que vaga, do que aconteceria e quais estágios meu personagem precisaria passar me ajudou a evitar exatamente o que Steven Spielberg disse aqui:

As pessoas esqueceram como contar uma história.
As histórias não têm mais meio ou fim.
Elas geralmente têm um começo que nunca pára de começar.

Existem estruturas variadas que prometem funcionar melhor em certos enredos, outras específicas para cinema/tv shows, mas hoje vou falar sobre a Estrutura em 3 atos, que serve muito bem para livros, poesia, contos, etc, e é bem simples, especialmente se você leu o meu resumo dos 20 enredos de Ronald B. Tobias, onde tentei explicar cada um usando esta estrutura.

Estrutura em 3 Atos

Como estruturar seu livro - 3 Atos

Ato I: Apresentação

No Ato I os leitores devem aprender sobre o protagonista, os personagens principais, seus relacionamentos entre si e sobre o universo onde habitam.

Uma reviravolta/incidente acontece, e o protagonista ao lidar com este incidente, revela o 1º ponto do enredo, aquilo que vai levar a história adiante. Citando um exemplo, este é ponto no livro Jogos Vorazes (Suzanne Collins) quando a irmã de Katniss é selecionada para participar dos jogos e ela se oferece como Tributo.

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Como escrever um livro: Checklist de Enredo

Abaixo tem uma checklist que pode te ajudar a situar o quanto sabe sobre a história que deseja contar, e assim descobrir qual enredo pode ser usar.

Se você puder responder todas questões abaixo, você já tem uma história, se não for possível responder tudo, pode ser que sua história ainda não esteja completa na sua mente.

Como escrever um livro: Checklist de Enredo

1. Em cinquenta palavras, qual é a idéia básica da sua história?

2. Qual é o objetivo central? Responsa com uma pergunta. Por exemplo, “Othelo vai acreditar em Iago sobre sua esposa?”

3. Qual é a intenção do seu protagonista? (O que ele quer?)

4. Qual é a motivação do seu protagonista? (Por que ele quer o quer?)

5. Quem ou o que está no caminho do seu protagonista?

6. Qual é o plano de ação de seu protagonista para realizar sua intenção?

7. Qual é o principal conflito da história? Interno? Externo?

8. Qual é a natureza da mudança do seu protagonista durante o curso da história?

9. Seu enredo é guiado por personagens ou ação?

10. Qual é o ponto de ataque da história? Onde você vai começar?

11. Como você planeja manter a tensão ao longo da história?

12. O que o protagonista fará no clímax e como isso o afeta?

Se deseja imprimir esta lista, baixe ela em .pdf, clicando aqui (link direto para o Dropbox).

Se você chegou aqui via busca, talvez a introdução que escrevi sobre enredos posse te interessar e esta aqui. Se deseja saber mais sobre os 20 enredos chefe, a lista esta aqui.

O livro 20 Master Plots de Ronald B. Tobias esta disponível em inglês pela Amazon.

Como escrever um livro: 20 enredos Chefe

Dando prosseguimento ao post anterior, chegamos finalmente aos 20 enredos. Note que no livro cada enredo ganhou um capítulo inteiro (com excessão do 19 e 20, que estão juntos), onde o autor dá diversas dicas e exemplos, uma explicação dos 3 atos e uma lista a ser ticada para ajudar o escritor. Eu fiz um resumo para não infringir nos direitos autorais, mas ainda assim transmitir a idéia central de cada enredo. A introdução que escrevi sobre enredos esta aqui.

Vale lembrar que Tobias diz que “O truque de aprender a usar o enredo não é copiá-lo, mas sim adaptá-lo às necessidades da sua história.” Então sinta-se livre para ajustar o enredo a sua idéia/história de maneira criativa.

Como escrever um livro: 20 enredos Chefe

1. Busca

O protagonista busca por algo tangível ou não, e que potencialmente vai mudar sua vida. É importante retratar o relacionamento do protagonista com o objeto da sua busca, e igualmente importante que este objeto tenha vários níveis de significado. Não pode ser apenas um anel, mas um anel que pertenceu a um parente distante que perdeu tudo na guerra e só conseguiu salvar este item.

No final não é exatamente o anel que o protagonista busca, mas sim uma sabedoria ou conhecimento que ele aprende/conhece/desvenda no final da narrativa.

Na Busca o protagonista geralmente tem um amigo e/ou companheiros que cuidam dos detalhes e cujas limitações contrastam com as qualidades do herói, além de servirem como espelho onde o protagonista projeta suas reflexões. E geralmente vemos um outro personagem que sempre esta por perto para ajudar o protagonista. Tobias menciona várias obras como exemplo, mas eu selecionei apenas algumas por questão de brevidade:

Dom Quixote, Miguel de Cervantes
As Vinhas da Ira, John Steinbeck
O Senhor dos Anéis, J. R. R. Tolkien

2. Aventura

Diferente da Busca, onde o foco é no protagonista que pode estar fazendo uma viagem, neste enredo o protagonista sai em uma aventura e o foco é na viagem em si. O desenvolvimento pessoal do protagonista ou sua mudança/aprendizado não são fundamentais, pois é a ação, a aventura, o principal. Tobias diz que o enredo da Aventura faz sucesso pois o público gosta de experimentar o exótico, um universo paralelo, um planeta, etc. Ele diz ainda que um romance pode fazer parte da aventura (muito clichê na minha opinião), mas não é uma obrigatoriedade.

Vinte mil léguas submarinas, Jules Verne
Robinson Crusoe, Daniel Defoe
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